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Forum Geral => Variados | Off-Topic => Temas Livres (Relacionados a Informática) => Topic started by: branco on 16 de January , 2009, 01:59:26 AM

Title: O sorriso de Carol
Post by: branco on 16 de January , 2009, 01:59:26 AM
Segue um pequeno conto, ainda sem correção ortográfica

O sorriso de Carol
Na frente do computador passei o dia todo, olhando e tentando decifrar o enigmático sorriso de Carol, admito, porém, nada ter descoberto até o presente momento. Hei de contá-lo tudinho a seguir, e espero que sua sabedoria seja-nos útil contra esta garota. Antes, porém, gostaria de adverti-lo: preste bastante atenção nos detalhes, às vezes eles dizem mais que as próprias palavras, e a chave do enigma pode ter ficado num simples instante que nos passou despercebido.

Foi na casa do amigo magrinho-loko que me hospedei quando fiz a visita ao Rio de Janeiro, afim de conhecer a maravilhosa cidade. Ele era meu parceiro do hacking, me ensinou a programar em PHP e a utilizar o Mysql, juntos fizemos vários defaces e softwares. Após várias festas e passeios, ainda não tinhamos passado uma manhã na Praia de Copacabana, que deixamos por ultimo, devido ao mau tempo. No dia em que retornaria a Minas Gerais, o Sol finalmente me presenteou, por coincidência, com um lindo crepúsculo, cuja visão era-me privilegiada da janela do quarto. Não esperei o sol, fui acordar o magrinho para irmos à praia, que fazia tanto sucesso em Minas. Após tomarmos o café, seguimos direto para o calçadão. Ficamos observando as pessoas, a sensação de estar na praia era magnifica, realmente parecia uma sociedade civilizada; as pessoas se louvavam e praticavam esportes alegremente. Elas pareciam ter se acostumado com a bela acentuação das desigualdades sociais. Foi no meio da conversa, num momento de ironia, que magrinho avistou sua prima Carol.

- Olha só branco... do lado do quiosque
- Nossa... que corpão, conhece ela?
- É minha prima, essa sabe demais
- Não se parece nada com você, maravilhosa

Carol era loira e estava vestida com um biquini amarelo, de alcinhas do lado. A pele era branquinha, e as formas do seu corpo tão suaves que na hora me lembrei de Michelangelo. Teria ele realizado o sonho de fazer as esculturas falarem e se moverem? A distância ainda não deixava-me ver a cor dos olhos, e eu queria saber o que se passava na mente daquela garota.

- ela tem namorado magrinho?
- não
- vamo lá
- essa é diferente... não dá encima dela

O que haveria de diferente naquela garota? As gostosas eram sempre iguais: aquele corpão maravilhoso, porém, com a cabeça completamente vazia. Era por isso que os corajosos, por mais feios que fossem, conseguiam pegá-las, e causavam juntos aquele velho espanto social. Chegando mais perto, pude ver os seus olhos. Eram verdes, mas um verde forte, que chamava bastante atenção. Os lábios eram suculentos e avermelhados, o que lhes garantia igual destaque. Ela nos cumprimentou, o magrinho disse que eu era seu amigo, estava hospedado em sua casa, aquele velho papo introdutório. Enquanto ele dizia, percebi que ela me analisava, enquanto eu olhava as ondas do mar, como se não tivesse me espantado com toda aquela beleza. Quando o magrinho terminou de falar, saudou-me, disse que o Rio era muito bonito, e que eu gostaria da praia de Copacabana. Verdade seja dita, eu já estava adorando, principalmente em sua companhia. Ficamos na praia algumas horas e conversamos um pouco  sobre a sociedade, os movimentos revolucionários e intelectuais, mas isso foi timidamente, com longas pausas. Ela e o magrinho chegaram a se banhar no mar, eu fiquei só observando. O que ela tinha de diferente era a inteligência e sua maneira perspicaz.

Deveria ter uns dezassete anos, e me pareceu um pouco timida, o que era ótimo. Gosto desse tipo de garota, porque o corpo não esconde a quantidade de testosterona e estradiol, substancias responsáveis principalmente pelo comportamento sexual das mulheres. Embora as substancias sejam úteis, ter casos com essas garotas pode ser arriscado. O estradiol faz com que elas troquem constantemente de namorado, e traiam bastante também. Ainda bem que eu não queria namorá-la, mas simplesmente entendê-la, esse é um dos meus passa tempos preferidos. Se meu pensamento estivesse correto, bastava passar um pouco de confiança, e brincar abertamente, ela iria se derreter com minhas falas. Dependendo do grupo social a que pertencesse, poderia usar abordagens diferentes. Eu prefereria que ela curtisse hip-hop, R&B, abriria caminho para frases do tipo "ta com medo eh?, ta com vergonha de mim?", "sua cabeça tem vários preconceitos criados pela sociedade... veja a Beyonce e Britney Spears, como elas são livres e fazem o que tem vontade", e poderia criar frases compridas, que fizessem ela imaginar bastante e ficar excitada. Infelizmente, ela não parecia curtir estes tipos de musicas. O seu sorriso era audacioso, que parecia demonstrar um profundo conhecimento sobre nossas conversas, o que lhe aproximava da MPB, já que haveria de se contentar com a natureza dos problemas sociais, e preferia viver na simplicidade e na boemia. O problema dessa abordagem, é que este tipo de garota, que vive na boemia, não costuma ser timida. Talvez ela não fosse timida, mas discreta.

Quando foi lá pras 11 horas, o magrinho nos chamou para irmos à sua casa e almoçarmos juntos, para depois, aproveitar o pouco tempo que me restava conversando. Em todas nossas conversas, ela foi sempre discreta, não consegui envolvê-la, pois não dava uma oportunidade. O sorriso timido estava mais para "assunto concluido", do que para "assunto interessante". Isso me fazia pensar em várias hipoteses. O que haveria de ser? Será que o problema era comigo? Não...se fosse, ela não estaria em minha companhia até aquela hora, teria preferido ficar na praia, ou até mesmo ir dormir em casa. Além disso, percebi que ela me olhava de maneira penetrante às vezes, de maneira sagaz. Parecia realmente me analisar, o que eu também não entendia. Que garota estranha... conhecia todos filósofos da Renascença e Iluminismo, admirava Simone de Beauvoir e o movimento hippie de década de 60, tinha todo aquele corpo, sem namorado, e era discreta?! Não tinha como encaixar esse discreto na sua vida, eu tentei de tudo, pensei em várias hipóteses, nenhuma dava uma solução. Ela só podia esconder algum segredo, ou ocultar alguma informação, de maneira que com os dados obtidos, eu não pudesse compreendê-la.

Já eram 18:00 horas, o tempo passou depressa. Às 18:30 sairia meu voo, por isso arrumei minhas coisas, com a ajuda dos dois, para ir ao aeroporto junto com o magrinho. Ela disse que iria conosco, e antes de descermos para a portaria, passou pelo seu apartamento e pegou um agasalho e seu celular, que não levava para praia devido ao enorme indice de furtos. Chegamos no aeroporto quase na hora do embarque. Estranhamente, antes da minha partida, ela tomou a iniciativa de tirar algumas fotos nossas com o celular. Me passou o seu msn e disse que me enviaria elas para que eu lembrasse dos seus amigos no Rio, assim que eu chegasse em casa. Concordei apreensivo.. Esse foi um ato isolado, mesmo nesse momento, ela continuava encurtando as palavras, demonstrando não ser comunicativa.

Cheguei em casa e fui direto para o computador. Passei o tempo todo pensando nela, do Rio à Minas. Quem sabe pelo msn ela se abriria mais comigo? Quando fiquei online, nem precisou adicioná-la. Um pedido já me esperava, provavelmente o magrinho passou meu messenger para ela. Quais eram as causas desse interesse? Nem refleti antes de adicioná-la. Apenas a aceitei, estava ansioso para tentar usar uma bela engenharia social e finalmente descobrir o que lhe passava na mente. Passado alguns segundos, ela ficou online. Abri o chat e fiquei aguardando a foto de exibição se atualizar. Infelizmente, apareceu apenas o patinho, geralmente a foto padrão do msn. Dei oi e começamos a conversar, ela me cumprimentou, perguntou como tinha sido a viagem, e me enviou as fotos. Ela parecia não ter mais receio de conversar. O arquivo com as fotos veio zipado. Minha internet lenta demorou uns 40 segundos para baixá-lo, tempo em que ficamos calados. Fissurado por respostas, assim que conclui o download, extrai as fotos e abri rapidamente a primeira. Por castigo do destino, esta não abriu. Pulei para a segunda, e quase tomei um susto. Não tiramos essa foto no aeroporto. Ela estava sentada, com os pés sobre a mesa, e do lado havia um notebook. O olhar na foto era penetrante, e o seu sorriso enigmático. Este eu ainda não havia visto, mas se assemelhava com.o sorriso de Mona Lisa. Quando abri o chat para perguntá-la sobre, estava offline. Cansado, fui dormir, com a imagem do sorriso em minha mente. Confesso que rolei a noite toda, nunca tinha encontrado garotas assim, tão reticente, ou talvez, incoerente. Também nunca tinha visto um sorriso destes, era singular.

Pela manhã, acordei e vim direto para o computador. Não consegui entrar no messenger, a senha estava incorreta, mas é até bom que não me distraio. Abri a foto dela novamente, e estou até agora a observá-la. O que Carol esconde, por trás deste sorriso? Discreto ele não é...
Title: Re: O sorriso de Carol
Post by: S3ijy on 16 de January , 2009, 11:09:40 PM
Combinação Fatal, menina linda e inteligente+mente hacker = desastre completo para os marmanjos de plantão.

Belo conto de engenharia social, expressa bem a forma como tudo funciona, e também, que mesmo aqueles mais inteligentes, têm seus pontos fracos,  e podem ser enganados!

Leitura divertida, não esperava esse final, de maneira alguma, embora o texto tenha me dado uma dica logo quando os dois são apresentados...

Parabéns!
Title: Re: O sorriso de Carol
Post by: branco on 17 de January , 2009, 01:35:45 PM
rsrs... também não esperava que o arquivo que não abriu, fosse um keylogger com icone de foto. Isso que dá, não marcar a opção para o windows não esconder a extensão de arquivos.

vlws,
até mais
Title: Re: O sorriso de Carol
Post by: OverClock on 17 de January , 2009, 02:23:38 PM
QuoteCombinação Fatal, menina linda e inteligente+mente hacker = desastre completo para os marmanjos de plantão.

Belo conto de engenharia social, expressa bem a forma como tudo funciona, e também, que mesmo aqueles mais inteligentes, têm seus pontos fracos,  e podem ser enganados!

Leitura divertida, não esperava esse final, de maneira alguma, embora o texto tenha me dado uma dica logo quando os dois são apresentados...

Parabéns!

pensei nisso...e quando ele diz...

Quoteessa é diferente... não dá encima dela

ja imagina algo nesse sentido...

mt bom Branco...

abraço